O Testemunho do Vento – Descobrindo a Serra de Aire e Candeeiros

Joana Oliveira
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Como Chegar:
Desde Porto-de-Mós, através da EN1, seguindo em direcção a Alcanede, pela EN 243, até chegar a Chão das Pias, seguindo até Poço da Chainça, onde tem início o percurso.

1ª Etapa – Escola Primária do Poço da Chainça – Lugar da Fonte
A Escola Primária do Poço da Chainça é uma pequena escola que, como tantas outras no nosso país, evidencia os sintomas do progressivo envelhecimento das populações dos meios rurais. Actualmente poucas serão as crianças que ali iniciam os seus estudos, mas parte da escola foi aproveitada como casa abrigo do Núcleo de Espeleologia de Leiria, revitalizando parte de um edifício destinado ao abandono. Das traseiras da escola seguimos a caminhada, atravessando a estrada que nos trouxe, e seguindo em frente (NO) por um caminho de terra batida, entre muros.

Sob os nossos pés podemos observar várias lajes calcárias e zonas de olival, intercalado com bosquetes de azinheiras de pequeno porte e eucaliptos. O chilrear dos rouxinóis ou dos pintarroxos compõe a banda sonora que nos acompanha durante a caminhada.


Fotografias de José Romão

Subindo um pouco, chegamos a uma bifurcação onde, por um lado, temos uma cerca de madeira e, por outro, um estreito caminho à nossa direita. Seguimos este caminho entre muros, tomando a direcção do casario e da uvala (7), que em vários tons de verde se estende na nossa vista.

À medida que vamos descendo, podemos observar pequenas construções de pedra que servem de apoio à pastorícia e à agricultura. Esta é restringida às pequenas propriedades delimitadas por muros de pedra solta, localmente conhecidos como chousos, autênticos quebra cabeças, resultantes da retirada de pedras do solo, para que dele se possa tirar o sustento, tornando-o arável e propício à pastorícia. As referidas construções servem para arrecadar utensílios agrícolas e, simultaneamente, o abrigo de alguns animais de pequeno porte, como as simpáticas ovelhas ou as curiosas cabras que por ali pastam.

2ª Etapa – Lugar da Fonte – Subida para os Moinhos
Depois de uma descida entre muros e olivais, chegamos a uma estrada branca que iremos percorrer.

Na depressão consequente da uvala podemos apreciar a forma como os terrenos são divididos por chousos, onde predominam campos de cultivo anuais, sobretudo de batata, trigo, milho e aveia. Nestas zonas é frequente avistarem-se pequenos ouriços-cacheiros e ratos-do-campo, algumas espécies de aves, como a gralha-de-bico-vermelho e do peneireiro-de-dorso-malhado, que ali vão no Outono para se alimentarem dos restolhos, e também pequenos répteis.

Carvalhos frondosos, azinheiras e oliveiras, estas últimas marco do processo de humanização levado a cabo pelos monges de Císter de Alcobaça, no decorrer do século XVII, fazem parte da paisagem deste troço. Poderemos também apreciar a arquitectura de algumas casas que permanecem com a sua traça primitiva – a sua simplicidade e despojo denunciam o meio pobre onde se inserem, marcado pela ausência da água e pela escassez de solo arável.

Seguimos, calmamente, pela estrada branca entre muros até chegarmos a um espaço onde o chão se transforma numa laje imensa e formações rochosas, que evocam possíveis cenários da lua, afloram à superfície – são os campos de lapiás. Este espaço terá sido utilizado como eira, mas actualmente é só mais um dos pontos de passagem do nosso percurso, que prossegue, tendo como destino o Cabeço dos Carvalhos, onde se encontram altaneiros três moinhos.

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