Serras de Valongo - um património natural a descobrir e conservar

Manuel Nunes (texto) e Jorge Nunes (fotografia)
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 Os fetos de Valongo

As peculiaridades geoclimáticas das “serras de Valongo” permitiram a sobrevivência, até aos nossos dias, de um conjunto único de espécies de pteridófitos que, pela sua raridade, se revestem de elevado valor conservacionista. Os fojos e um pequeno troço do vale do rio Ferreira são os únicos locais do nosso país onde é possível encontrar algumas dessas espécies protegidas: como a Culcita macrocarpa, um feto ripícola, considerado uma verdadeira preciosidade pelos botânicos, cujos únicos núcleos conhecidos vegetam nos respiradouros e galerias das antigas minas auríferas romanas; a Trichomanes speciosum, uma relíquia paleotroplical que hoje se encontra confinada a alguns locais húmidos e pouco iluminados da serra de Santa Justa, apesar de, em tempos, ter sido também referida para a serra de Sintra, onde parece ter-se extinguido; e a Lycopodiella cernua, um pequeno feto de aspecto arborescente, que tem nos terrenos alagadiços e parte inundada dos caminhos próximos do rio Ferreira, o único local conhecido de ocorrência em toda a Europa continental. Para além destas espécies, vale a pena realçar igualmente a presença da Dicksonia antartica, um feto arbóreo originário da Austrália e Nova Zelândia, que tem nesta região a única população naturalizada que se conhece em Portugal, e ainda a ocorrência da espécie Dryopteris guanchica, um pteridófito macaronésico muito raro em Portugal, que apenas vegeta em pequenas ravinas húmidas e sombrias das “serras de Valongo”, Arga e Sintra.

As trilobites de Valongo

Ao percorrer as serras de Valongo é possível fazer uma “viagem no tempo”, observando cerca de 300 milhões de anos da história geológica do nosso planeta, uma vez que a sucessão estratigráfica permite aos visitantes pisar terrenos formados desde o Précâmbrico/Câmbrico (com aproximadamente 570 milhões de anos) até ao Carbonífero (com cerca de 280 milhões de anos). Nesta jornada ao passado da história geológica da região, merecem especial atenção as jazidas fossilíferas, que serviram de mote à criação do Parque Paleozóico de Valongo. Dentre os vários fósseis que podem ser encontrados por estas paragens, destacam-se os das trilobites, organismos marinhos pertencentes ao grupo dos Artrópodes, que viveram ao longo de milhões de anos, desde o período Câmbrico (570 milhões de anos) até à sua extinção no final do Pérmico (há cerca de 230 milhões de anos).

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