Turismo para recreio em espaços silvestres

Nuno Leitão
Imprimir
Texto A A A

 


Uma vez considerada a importância ecológica dos impactos resultantes das actividades de recreio, pode-se ficar com a noção de que mais valeria a pena manter as áreas silvestres sem uso turístico. Esta posição demonstra-se, no entanto, irreal e pouco interessante. O turismo é, e cada vez tende a ser mais, uma indústria poderosa que pode ser o garante económico dos ecossistemas que se pretende conservar, assim como o pretexto para criação ou recuperação de novas zonas silvestres. Do ponto de vista ecológico, estes impactos podem perder o seu significado aparentemente catastrófico, porque podem ser medidos e minimizados. Conforme os objectivos pretendidos, poder-se-ão estabelecer quais as alterações do meio que são positivas e quais as que são negativas, estabelecendo uma estratégia de exploração turística sustentada das áreas em causa.

A gestão dos espaços silvestres, terá de ser direccionada para o encontro de equilíbrios, de forma a que os impactos sejam minimizados, onde as pessoas, enquanto visitantes, são parte do ecossistema. É necessário que quem gere as áreas sujeitas a procura turística de natureza não "mate a galinha dos ovos de ouro", levando à degradação desses locais por excesso de uso, o que levaria, por sua vez, à diminuição da sua procura. Por exemplo, passeios pedestres em zonas sensíveis de dunas podem levar à degradação da vegetação e das próprias dunas, se não forem construídas passadeiras e se evite que as pessoas se desloquem erraticamente. É fundamental uma atitude atenta, que corrija eventuais excessos e que sejam garantidas as infraestruturas indispensáveis para minimizar impactos negativos, caso contrário podem ser as pessoas que amam a natureza a principal causa da sua degradação.

Comentários

Newsletter