Pela Serra do Caramulo

Leonor de Almeida (texto) e José Romão (fotos)
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Entre fontes termais já utilizadas pelos Romanos e encostas cobertas de uma vegetação que levou à criação de uma reserva botânica, a Serra do Caramulo convida ao repouso e é local de purificação de corpo e espírito.

O Caramulo e a reserva botânica do Cambarinho


Quando se fala do Caramulo vem à lembrança a estancia sanatorial que ali existiu . Agora está transformada numa magnifica pousada , o Excelence Hotel - Quality Inn, onde se faz desaparecer o stress da cidade com desporto, massagens, caminhadas pelas cumeadas da serra , escalada de cascatas, boa comida e boa bebida, características da região do Dão - Lafões.


De Coimbra, chega-se a Tondela, nas faldas do Caramulo. O ar purifica-se e purifica-nos. As sombras das matas e as formas das rochas graniticas , (ou penhas, como são chamadas), revigoram-nos o ser. Fazem parte do repouso e da cura, os passeios pela serra , que já é tempo de ser convertida em parque natural! Se subirmos aos píncaros, ao Caramulinho a 1074 metros de altitude, podemos avistar as serras da Estrela, Lapa e Montemuro, a Sul, e a Este o maciço da Gralheira com as serras da Freita, Arada, Arestal e Manhouce. A Noroeste vê-se a Ria de Aveiro , até ao mar...


Fotografias de José Romão

O Caramulo tem também outras riquezas, pacientemente coleccionadas pelo médico Abel de Lacerda e reunidas no Museu do Caramulo (Museu da Fundação Abel de Lacerda) e no Museu do Automóvel. O Museu do Caramulo, instituido pelo medico e benemérito e reunindo exclusivamente, ofertas, tem notáveis colecções de pintura desde Vasco Fernandes a Picasso e Dali e a outros autores portugueses da mesma época. Tem também, escultura, mobiliário, cerâmica , ourivesaria e arqueologia. São ainda de destacar quatro tapeçarias dos Paises Baixos, as famosas tapeçarias de Tournai onde estão reproduzidos curiosos animais híbridos, saidos da imaginação de quem ouviu as descrições dos descobridores de Africa no seculo XV .
 
E na secção do Museu do Automóvel, que mostra parte da colecção do dr. Joao de Lacerda, podem ver-se, entre outros, um Peugeot de 1899, um Rolls Royce de 1911 e dois Bugatti de 1930 e 1938 .


Entretanto, esta colecção foi enriquecida com carros dos sócios do Clube Portugues de Automoveis Antigos.


Do Caramulo para Norte, pela EN 333, a Vouzela e às termas de S. Pedro do Sul, é um instante. Passa-se pela Reserva Botânica dos loendros, no Cambarinho. Criada pelo dec.lei 364/71 de 25 de Agosto foi delimitada uma área de 24hA como reserva integral . O loendro, Rhododendron ponticum L., " o mais belo arbusto da Europa", segundo Hoffmansegg e Link em 1799, com o seu cacho de flor lilás , atinge toda a pujança de cor em fins de Maio. Abunda nos sítios mais recônditos dos vales das ribeiras de Cambarinho e rio Alfusqueiro. A subespécie baeticum existe apenas na Peninsula Ibérica possuindo na Beira Alta o nome popular de loendro ou loendreira e adelfa ou adelfeira no Algarve. O loendro quer solos ácidos, arenosos, e muita humidade, é um vestígio da flora do terciário e está sob protecção em Portugal desde 1971.


Ao percorrer a pé os trilhos de pedra que já foram dos romanos, os encontros podem ser com azenhas abandonadas nas margens da ribeira do Cambarinho e do rio Alfusqueiro onde se encontram os loendros, matas de carvalhos, Quercus pyrenaica e castanheiros, Castanea sativa, típicos da floresta portuguesa do tempo dos romanos, fetos lindos na ribeira e miosótis aquáticos .Folhas verdes, tons que se tornam escuros quando as árvores fazem túneis, salpicados pelas roxas flores de loendro, parecendo violeta sob a luz azul do céu.


Fotografias de José Romão 

As Termas de S. Pedro do Sul


A Norte da Serra do Caramulo, visitemos as termas de S. Pedro do Sul. Hoje aqui crescem edificios de apartamentos que ocupam, quase em semicírculo, um valete por onde passa o rio Vouga e o maciço da Gralheira sobranceiro.


 
As velhas termas, o balneário mandado construir pela Rainha D. Amélia, estão a ser reconstruidas e , ao que consta, equipadas com os mais modernos sistemas de massagens , com mais piscinas, salas de animação termal, etc.


Entramos nas Termas, no seu largo , e o espectaculo é sempre o mesmo . Gente embiocada, tipo Irão em época de ayatollahs, cheiro a diabo... o sulfídrico que tão bem faz à saude dos narizes e dos ossos!


No largo, de uma enorme bacia de pedra, fervilham as águas e espalha-se o vapor curativo que já os Romanos souberam aproveitar.Indo pela estrada junto ao rio Vouga, a meio caminho entre a ponte sobre o rio e o INATEL Palace, à esquerda podem ver-se os vestígios da famosa Balneum dos romanos, depois utilizadas por D. Afonso Henriques, ao que se conta, para se curar de uma perna quebrada na batalha de Badajoz. 


Fotografias de José Romão

Bibliografia

Henriques, J. A. (1886). Uma excursão botânica à serra do Caramulo. Bol. Soc. Brot. IV, pág. 80-125

Willkomm, M. (1900). As regiões botânicas de Portugal Bol. Soc. Brot. XVII, pág. 89- 154

 

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