Alto Douro Vinhateiro

Sara Otero
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O Alto Douro e a viticultura constituíram no século XVIII um dos pólos importantes de modernização da economia e administração pública, tendo sido também uma das primeiras regiões portuguesas a ficar estruturalmente ligada ao estrangeiro, devido ao comércio e investimento externo.

A segunda metade do século XIX foi a época das pragas e das doenças. Em 1851 aparece o oídio, permanecendo durante cinco a dez anos, conforme as regiões, até ser correctamente combatido. Nessa altura perde-se, em termos globais, cerca de 50% da produção anual de vinho, existindo locais onde o prejuízo pode ter sido de 80 a 90%.

Em 1868 surge pela primeira vez a filoxera, durando mais de vinte anos até se ter encontrado a solução para o combate a esta doença, neste caso as enxertias em cepas de origem americana, imunes ao insecto. Esta praga foi a maior de todas, tendo-se propagado muito rapidamente. Muitas quintas e terras foram abandonadas, levando à emigração de muitos lavradores, muitos proprietários venderam as suas terras ao desbarato. Na realidade, esta doença foi um dos factores poderosos de transformação fundiária e social da história do Douro.

A sucessão de doenças e pragas nas vinhas do Douro teve ainda como consequências a alteração significativa de algumas práticas culturais, como por exemplo a utilização de porta enxertos americanos, que vieram implicar a introdução da enxertia, assim como a selecção de castas para enxertia. A introdução da vinha americana trouxe também outras exigências na preparação do terreno, na plantação e na adubação.

No começo do século XX a qualidade do Vinho do Porto tinha-se deteriorado, apresentando uma baixa reputação.
 
 
Desde 1972 e até aos anos 90, o sector do Vinho do Porto registou um crescimento a nível das quantidades produzidas, em valores e volumes exportados, em valor unitário de produção e exportação, tendo sido neste período que se verificou a ocorrência de transformações fundamentais no processo produtivo, com relevância para o engarrafmento, o aparecimento de vinhos de quinta, a plantação de novas vinhas, a mecanização da viticultura e a modernização dos processos de fabrico.

Grande parte do vinho novo destinado à comercialização era transportado do vale do Douro para Vila Nova de Gaia, tendo sido no passado o rio a única via de transporte. Os barcos rabelos, embarcações de fundo chato e vela quadrada, eram carregados com pipas, realizando uma viagem longa e arriscada através das águas quase sempre tumultuosas. A área ribeirinha de Gaia era uma zona dentro da cidade do Porto consagrada ao Vinho do Porto. O Entreposto de Vila Nova de Gaia é ainda hoje uma área eleita para o envelhecimento, preparação de lotes, engarrafamento e expedição do Vinho do Porto, onde está instalada a maioria dos armazéns das empresas exportadoras, alguns deles com séculos de existência, como a Kopke, Burmester, Sandeman e Croft. Até 1986, todo o Vinho do Porto tinha que ser comercializado a partir de Vila Nova de Gaia. No entanto, nova legislação entrou em vigor, abrindo a possibilidade de comercialização a partir da região demarcada, passando alguns viticultores a comercializar directamente a sua produção, valorizando o conceito de "Produzido e Engarrafado na Origem".
 
 
O Vinho do Porto tem desempenhado um importante papel na economia portuguesa, em especial devido ao seu impacto na balança comercial. Até 1963, o Reino Unido foi o principal importador de Vinho do Porto, tendo sido ultrapassado nesse ano pela França, em 1982 pela Bélgica-Luxemburgo e em 1991 pela Holanda. Quando, em meados da década de 80, Portugal aderiu à Comunidade Europeia, 94% das exportações passaram a ter como destino a Comunidade. Actualmente a França continua a ser o maior mercado com uma quota de mais de 30% do total comercializado, seguindo-se o mercado holandês, português e belga, cada um com um peso que oscila entre os 12% e os 15%. Presentemente, o Reino Unido surge em 5º lugar, consumindo cerca de 10% do total.

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