Alto Douro Vinhateiro

Sara Otero
Imprimir
Texto A A A

 

Os Instituto do Vinho do Porto, a Casa do Douro e os Órgãos Regionais de Turismo do Vale do Douro, inauguraram em 1996 a Rota do Vinho do Porto, sendo seleccionados e devidamente inscritos 54 locais, situados na Região Demarcada do Douro e freguesias limítrofes, que se encontram directa ou indirectamente relacionados com a cultura vitivinícola: Produtores engarrafadores, Adegas Cooperativas, Comerciantes de Vinho do Porto e Douro, Enotecas, Turismo em Espaço Rural e Centros de Interesse Vitivinícola. Assim, o visitante poderá encontrar desde o pequeno viticultor ao grande produtor de vinhos da Região Demarcada do Douro podendo visitar as vinhas e adega, provar e comprar vinho e participar em vários trabalhos vitícolas: como a vindima e a pisa em lagar. É possível visitar os locais que constituem a Rota do Vinho, obtendo informações no Gabinete da Rota, localizado nas instalações do Vinho do Porto, em Peso da Régua, ou nos postos de turismo da Região.
 
A região do Alto Douro é rica em vestígios históricos, como as antas e dólmenes, torres de menagem, castelos medievais, pelourinhos, igrejas dos séculos XI a XVII e casas solarengas dos séculos XVIII e XIX. Se depois de ler este artigo tiver vontade de conhecer, ou reconhecer, esta região, recomenda-se que sempre que lhe seja possível desça aos vales e suba às colinas, pois com quase toda a certeza, encontrará igrejas medievais ou barrocas e solares, podendo obter maravilhosas vistas de toda a região. Alguns locais de referência são Mesão frio, Santa Marta de Penaguião, Sabrosa, Pinhão, Vila Real, Favaios, Alijó, Murça, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Freixo de Espada à Cinta, Vila Nova de Foz Côa, São João da Pesqueira, Tabuaço, Armamar e Lamego.

A região do Alto Douro situada no nordeste de Portugal, na bacia hidrográfica do Douro, ocupa uma área total de cerca de 250.000 ha, ocupando a vinha uma área efectiva de cerca de 15,4% da área total. Esta área é trabalhada por aproximadamente 33 000 viticultores, em geral pequenos produtores que têm um grande peso na produção de Vinho do Porto, possuindo cada um deles, em média, cerca de 1 ha de vinha. No entanto, da totalidade da superfície plantada com vinha, somente 26.000 ha estão autorizados a produzir Vinho do Porto. As vinhas aptas a produzir são seleccionados por um critério qualitativo e classificadas, tendo em consideração parâmetros edafo-climáticos e culturais, com importância determinante no potencial qualitativo das parcelas.

A região caracteriza-se por ter Invernos muito frios e Verões muito quentes e secos, sendo grande a influência que exercem as serras do Marão e de Montemuro, servindo como barreira à penetração dos ventos húmidos de oeste. No entanto, no Douro as estações do ano são os ciclos da vinha e do vinho.
A viticultura desenrola-se em condições climatéricas bastante adversas, em solos pedregosos, tendo existido necessidade de recorrer a técnicas de armação do terreno em socalcos nas zonas de maior declive para se proceder à instalação da vinha. As formas de condução da vinha tentam ajustar a influência do clima e do solo às necessidades da planta e aos objectivos de produção.

Antes da chegada da filoxera, praga que surgiu na região pela primeira vez em 1862, provocada por um insecto que causa sérios danos nas videiras europeias, as plantações eram feitas em pequenos terraços irregulares, com 1-2 filas de videiras, suportados por paredes de pedra. As paredes dos socalcos eram construídas com as pedras tiradas do terreno, dependendo a sua altura da inclinação da parcela. Estes terraços foram posteriormente abandonados e constituem hoje os designados "mortórios". Após a filoxera, foram feitos novos terraços, mais largos e inclinados, com ou sem paredes de suporte, surgindo também a vinha plantada em declives naturais, segundo a inclinação do terreno, a designada Vinha ao Alto, podendo o trabalho ser mecanizado.

No princípio do século XVIII, os comerciantes e produtores, antes do embarque do vinho ou depois de este ser feito, acrescentavam-lhe pequenas quantidades de aguardente; também nesta altura, a aguardente começou a ser utilizada para parar a fermentação, dando origem ao moderno Vinho do Porto.

Comentários

Newsletter