Uma visita botânica ao Cabo da Roca

Pedro Bingre (texto) e José Romão (fotos)
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Fotografias de José Romão

O Omphalodes kuzinskyanae (que ainda não recebeu nome vernáculo português) é uma espécie rara, quer no número de indivíduos, quer na distribuição geográfica, como também nos habitats onde vive. É muito provável que venha a extinguir-se. Ocorre apenas nalgumas localidades litorais da Galiza e, em Portugal, somente numa faixa que se estende da Praia do Abano ao Cabo da Roca; ainda assim, observa-se em pouquíssimos aglomerados, cada qual com poucas dezenas de indivíduos. (Presume-se que em tempos passados, numa das épocas cíclicas de arrefecimento climático, haja ocupado toda a faixa litoral desde a estremadura portuguesa até ao noroeste ibérico.) Habita em cascalhos, rochedos e areias litorais onde haja uma acumulação (ainda que ínfima) de detritos ricos em nitratos. Esta última característica (a de preferir meios ricos em nitratos, ditos ruderalizados) é comum a toda a família das boragináceas em que se filia.
Infelizmente para a causa ambientalista, o O. kuzinskyanae não é uma planta carismática, nem portentosa, nem sequer bizarra ao olhar. Há quem chegue a julgá-la feia. Mas quem conhece a sua condição, acha-a bonita porque a sabe rara: tem a beleza trágica de uma despedida. Quem a não conhece, nem é capaz de compreender que o belo é algo mais que as formas que iluminam a retina, não se há-de preocupar com a sua extinção.

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