Uma visita à Tapada de Mafra

Miguel Monteiro
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Uma visita à Tapada de Mafra permite combinar o prazer de observar espécies animais que são normalmente difíceis de encontrar, uma flora e paisagem muito interessantes e ainda visitar dois museus. Acompanhe-nos nesta visita virtual e depois vá até lá.

 

Como o próprio nome indica, a Tapada de Mafra trata-se de uma área murada, mandada construir por D. João V como parque adjacente ao Convento de Mafra. A Tapada serviria como local de lazer e como fonte de produtos naturais. Em 1748 concluiu-se a fase de obtenção dos terrenos tendo então sido mandado construir um muro com 21 Km que encerrava uma área de aproximadamente 1.187 hectares. Actualmente a Tapada tem uma área de 819 ha e a Escola Prática de Infantaria e o Centro Militar de Educação Física e Desportos ocupam os restantes 360 ha.

A Tapada de Mafra proporciona a quem a visita um contacto lúdico, educativo e íntimo com a Natureza.

O percurso começou junto à bela Ribeira do Safarujo, tendo logo avistado, no cimo de um monte, um veado Cervus elaphus macho que rapidamente desapareceu entre os matos. Mais à frente, alguns gamos Dama dama comiam descansados, tendo sido incomodados pela minha presença, e também eles seguiram o seu caminho. Para lá do contacto com os animais, a beleza da Tapada surge ao longo de todo o passeio através da sua vegetação luxuriante, das vistas dos vales e dos planaltos, dos caminhos frescos que parecem túneis esculpidos na vegetação.

Ao chegar ao primeiro cercado, já me tinha cruzado com veados, gamos, pombos-torcazes Columba palumbus, piscos-de-peito-ruivo Erithacus rubecula, melros Turdus merula, lagartixas-do-mato Psamodromus algirus, lagartos Lacerta lepida e uma grande variadade de espécies de árvores, identificadas com o seu nome comum, o nome científico e a origem. O mesmo acontece nos cercados em relação aos animais (aqui não está mencionada a origem mas se a espécie existe em cativeiro e liberdade na Tapada).

 

Tive a sorte de chegar na altura da refeição no cercado dos lobos Canis lupus (carneiro dia sim, dia não), tendo tido oportunidade de observá-los enquanto calmamente comiam à sombra de uma árvore, meio escondidos entre a vegetação rasteira. A alcateia tem actualmente 7 indivíduos (5 machos e 2 fêmeas) que são descendentes de lobos trazidos para a Tapada há 30 anos, com o objectivo de estudar o seu comportamento em cativeiro.

Anexo a este cercado encontra-se o cercado dos veados, tendo-se assim a visão quase irónica de veados e lobos refastelados à sombra, separados por escassos 5 metros.

Enquanto se rodeia os cercados, vários gamos, que estão em liberdade, vão surgindo à espreita num caminho, saltando detrás de um arbusto ou de uma árvore.

Os primeiros javalis Sus scrofa que vi foram os dos cercados, uma fêmea com as suas crias a esponjarem-se numa poça. Mais tarde, e já à saída da Tapada, vi em liberdade outro grupo familiar que pouco se pareceu importar com a minha presença.

De menores dimensões são os cercados da raposa Vulpes vulpes e dos viverrídeos (dois sacarrabos Herpestes ichneumon e uma geneta Genetta genetta). Aqui podem-se observar com alguma facilidade estes carnívoros de médio porte que são, por vezes, difíceis de observar na Natureza.

 

Com 3 horas e meia para fazer a visita, pode-se andar ao ritmo que se quiser, parando nos locais que por esta ou outra razão mais nos atraiem. Para quem gosta da Natureza e de aprender algo sobre ela, a Tapada proporciona uma tarde muito bem passada. É também um lugar indicado para os amantes da fotografia, que encontram motivos para fotografar a cada passo.

Já na estrada que leva aos portões da Tapada, um último gamo, em jeito de despedida, ficou a ver-me passar, pousando para a fotografia e deixando-me com vontade de voltar a percorrer os bonitos e frescos caminhos da Tapada.

Gostaria ainda de realçar o papel que a Tapada tem tido ao nível da educação ambiental. Não só permite o contacto directo com a Natureza, como ensina a respeitá-la, a conhecê-la e a preservá-la. No ano passado a Tapada recebeu a visita de 15.000 alunos que fizeram o passeio de combóio devidamente acompanhados por pessoal técnico. Este ano, ao fim de sete meses, já 20.000 alunos fizeram essa visita. É também de destacar os trabalhos de investigação científica que lá se vão desenvolvendo: efeitos do fogo controlado na vegetação; estado sanitário do gamo e do javali através da análise de vísceras; contagens dos cervídeos e respectivo tratamento estatístico (na última foram recenseados 50 veados e 450 gamos); etc.

 

A Tapada é também uma Zona de Caça Nacional. A caça, levada a cabo de forma criteriosa, é necessária para a correcção das populações de cervídeos e de javalis, pois tratam-se de animais que vivem numa área fechada, em semi-cativeiro. Desta forma preserva-se o bom estado de saúde dos animais, protegendo igualmente o coberto vegetal.

Por último, existem na Tapada um Museu de Caça e um Museu de Carros de Tracção Animal. No primeiro podem-se observar animais embalsamados de diferentes espécies, armas antigas e colecções de hastes de veado e de gamo. No segundo, há uma colecção de carros, principalmente do séc. XIX, bem como belos apetrechos de equitação.


 
Para mais informações ou marcação de visitas, contacte a Tapada: tel- 261817050 e visite o site oficial na net da Câmara Municipal de Mafra (turismo): www.cm-mafra.pt.

 

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