Sobre o Turismo de Natureza, a Agricultura e a Conservação dos Recursos Naturais

João Bugalho
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A conciliação da agricultura com o turismo de natureza, contribuindo para viabilizar explorações agrícolas e desenvolver o mundo rural, poderá ser essencial para a conservação do habitat de espécies raras e ameaçadas.

 

Os recursos bravios e a exploração agrícola ou florestal estão intimamente ligados, podendo a viabilização das explorações agrícolas e florestais ser essencial para a conservação activa de muitos habitat dos quais depende, por sua vez, a conservação de determinadas espécies. Simultaneamente, a riqueza gerada pela utilização racional dos recursos bravios pode ser actualmente decisiva para as explorações agrícolas ou agroflorestais. A economia gerada por diversas actividades que integram o turismo de natureza pode simplesmente significar a viabilização de explorações, que de outro modo se perderiam. Isto é, provavelmente, tanto mais verdade quanto mais pobres as regiões. Daí, simultaneamente, a importância ainda maior dessas economias para a conservação dos espaços naturais onde se insiram as explorações referidas.

Vai longe o tempo – ou devia ir – da conservação dos recursos pelas proibições. Hoje fala-se antes de gestão sustentada, de conservação activa pelo uso de práticas adequadas de exploração e de utilização racional. De facto, uma gestão adequada das explorações agroflorestais pode, em muitas circunstâncias, criar um aumento da diversidade biológica, bem maior do que o resultante de listas de multas e coimas. Do incentivo a práticas correctas de utilização dos recursos poderão resultar grandes benefícios em termos de conservação da natureza. Estes, por sua vez, permitirão condições mais propícias para a utilização racional sustentada dos recursos bravios. A conciliação da agricultura com as actividades de turismo de natureza é, não só possível, como recomendável.

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